Histórico

Atualizado em 15/04/2013 às 14h:38

Escrito por: Ana Paula Bitencourt e Monique Matias Dornelles

Não é por acaso que Guilherme Mylius é o patrono da Biblioteca Central Guilherme Mylius. O professor de línguas anglo-germânicas e contabilista tem uma longa trajetória na Instituição e quem a relata é a sua filha, Lia Peixoto Mylius (70 anos), ex-professora do IPA, que está reunindo dados para narrar a história do pai e contá-la aos netos de Mylius.

Guilherme Mylius nasceu na região do Alto Taquari, em Venâncio Aires, no dia 13 de março de 1900 e faleceu em 4 de julho de 1968. Até os 18 anos, conta Lia, ele residiu em Estrela, nas margens do Taquari. Teve sete irmãos criados pela mãe, pois o seu pai falecera prematuramente. Batizado como Wilhem Mylius, era conhecido como Villy. Aos 18 anos, deixou sua cidade natal e veio à Porto Alegre para prestar o serviço militar.

De acordo com Lia, o seu pai foi um grande idealista e dedicou toda a vida aos colégios metodistas. Trabalhou, inicialmente, de 1937 a 1940, no Colégio União de Uruguaiana, o mais antigo do Estado, onde foi o primeiro administrador brasileiro,
pois até então, toda a administração das instituições metodistas era delegada a metodistas norte-americanos. Segundo a filha, a religião de berço do pai foi a Luterana, mas quando veio para Porto Alegre conheceu a Igreja Metodista e passou a seguir a sua doutrina com toda a família.

Na Igreja Metodista, Mylius era um fiel atuante e comparecia aos eventos com a família. Todos cantavam no coral do maestro Léo Schneider, professor do IPA e do Americano. Em várias ocasiões se apresentaram no Teatro São Pedro, referência artística e cultural no Estado.

Na administração do IPA, Milius dirigiu o setor de compras e, segundo a filha, no seu dia a dia, o local que mais frequentava era o Cais do Porto, onde comprava insumos para a instituição, incluindo toda a alimentação para os alunos internos.
Lia conta que o seu pai era reconhecido pela idoneidade. E, dentre os vários episódios, lembra que ele comentava sobre os fornecedores de alimentos do IPA, os quais muitas vezes ofereciam propina, recusada com a seguinte frase: “Se vocês quiserem dar alguma coisa, dêem ao IPA”. Para Mylius, a Igreja Metodista estava em primeiro lugar. “Cativante”, ressalta Lia, Guilherme tinha facilidade para fazer amizades. Seus amigos eram de diferentes religiões, incluindo católicos e judeus. Também descreve o pai como uma pessoa simples, que ajudava todas as pessoas porque gostava. Dedicado ao trabalho, estava sempre disponível para o IPA, tanto em finais de semana quanto em feriados.

Seus amigos mais próximos eram os professores Oscar Machado, Sadi Machado, Washington Gutierrez, José Campos, João H. Facina, Aslid Gick e o pastor Daniel Betts. Deste grupo, ainda vivem Sebastião Campos e a cozinheira dona Maria Ferreira, de 96 anos. Mylius casou-se com Hilda, no dia 17 de dezembro de 1930, e com ela teve três filhos: Harno, Erni e Lia, além de oito netos. Sete anos após o casamento foi convidado a assumir o cargo de reitor em Uruguaiana onde permaneceu por quatro anos. O estudo superior ficou para mais tarde. Com mais de 40 anos, formou-se em Contabilidade, pela PUC. Também cursou línguas Anglo-Germânicas. Mas, de acordo com a filha, nunca chegou a lecionar o Alemão, apenas o Inglês. Mylius trabalhou no IPA até 1963.
Um dos seus grandes prazeres era o contato com a natureza. Sempre demonstrou gosto pela jardinagem. A maioria das árvores, hoje frondosas, que enfeitam a paisagem da Unidade Central, foi plantada por ele e pelos alunos que costumava incentivar. Também criou diversos recantos, abriu caminhos de pedras e escolheu a dedo as árvores que plantou. Nos últimos anos, cuidou da biblioteca que atualmente, como forma de agradecimento pela dedicação à Instituição, leva seu nome.
Os episódios marcantes na vida do ipaense Mylius, que hoje estaria com 108 anos, permanecem na memória da família. Mas o que a sua filha aponta como inesquecíveis são as homenagens que recebeu ao organizar o antigo “Ipinha”, em Jaguarão e a mais recente, há três anos, quando foi inaugurada a Biblioteca Central, hoje denominada Biblioteca Central Guilherme Mylius.

BITENCOURT, Ana Paula; DORNELLES, Monique Matias. 40 anos da morte de Guilherme Mylius: recuperando a história. Universo IPA, Porto Alegre, nov. 2008. Disponível em: < http://www.metodistadosul.edu.br/sites/universoipa/ampliacoes/2008_2/murais_7/mylius.pdf >. Acesso em: 01 mar. 2009.